Sábado, Maio 23, 2009

Deixa-me amar-te





Deixa-me amar-te em meus silencios
Na calmaria do teu coracao que me acolhe
E de onde se desprendem meus sonhos
Em voos etereos de plena liberdade

Deixa-me amar-te em minha solidao
Ainda que meus labirintos te confundam
E que teus fios generosos de compreensao
Emaranhem-se no tapete dos meus enigmas

Deixa-me amar-te sem qualquer explicacao
Na ternura das tuas maos que me sorriem
Escrevendo desejos em versos despidos
Na minha alva tez que te cobre e descobre

Deixa-me amar-te em meus segredos
Para que desvendes o que tambem desconheco
A alma dos meus abismos, onde anoiteco
E meus olhos adormecem embalados pelo misterio

Deixa-me amar-te em tuas demoras, longas horas
Em que meu corpo se veste de ceu a tua espera
E minhas maos em frenesi acendem estrelas
Para alumiar-te, ainda que ausente



Fernanda Guimarães


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Deixa-me amar-te dentro do silêncio. Ser o teu coração o compasso da paz dos meus dias, a embalar-me os son(h)os e as asas. Ser o teu azul a cor dos meus voos. Deixa-me amar-te dentro da solidão. Ser a tua mão o norte dos meus passos, e o teu abraço o porto dos meus cansaços. Ser o teu sorriso o cais de chegada e o meu velar-te as noites. Deixa-me amar-te só. Ser um resto de ternura que as horas nos deixam e todo o mundo ser verso e poema escrito sobre a tua pele. Deixa-me amar-te neste mundo e em todos os mundos. Ser no teu colo o fim de todas as guerras, e (re)nascer suave e breve do mistério que sempre fomos. Deixa-me amar-te na tua ausência, nas horas em que vives por trás dos meus olhos. A ser a luz que nunca mais me deixou, mesmo quando o teu abraço vive longe da vontade dos meus braços. Deixa-me amar-te e_terna_mente. Ser céu e um sem fim de ternura. Ser mundo, ser cor. Ser vida, ser paz. Ser chão, ser passos. Ser feliz e tudo o que me ensinaste. Amo-te.


Bons Pensamentos*
Obrigada a todos pelas palavras de carinho.


Fotografia: Ponte de Arrábida, Porto. Julho, 2008

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

estás em tudo o que existe

.
.
.
trago-te nos dias
em que
não estás

a desejar
...baixinho...
que estivesses

estás
nas minhas horas
que e
........s
..........p
............e
..............r .....a
.........................m
................... .............por ti

nas noites de
insonia cegas e
...............................sozinhas
no tempo que
tece o meu
olhar

abro a mao
procuro um resto
de ti

.estás em tudo o existe.

a chuva não para
e sinto sempre a tua falta
um constante retorno
como as marés

talvez nunca pare e
a solidão
seja para sempre
também

e ainda a........................................ distância
que a vida desenhou
com as mesmas mãos
que nos acariciam
o SorrisO

vejo
beijo
beijo-te
e beijo o eco do meu beijo
que é teu

...e_terna_mente...




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Bons Pensamentos*

Domingo, Janeiro 11, 2009

Que diremos ainda?





"Vê como de súbito o céu se fecha
sobre dunas e barcos,
e cada um de nós se volta e fixa
os olhos um no outro,
e como deles devagar escorre
a última luz sobre as areias.

Que diremos ainda? Serão palavras,
isto que aflora aos lábios?
Palavras? este rumor tão leve
que ouvimos o dia desprender-se?
Palavras, ou luz ainda?"



Eugénio de Andrade in Que diremos ainda?




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O tempo passou. Por tudo e por eles e a cor do mundo ficou diferente. E ela nunca mais viu o céu da mesma maneira. Duas pessoas que rodopiaram a luz de uma cidade eterna. E ela que nunca se viu bonita acreditou-se bela no mar do sorriso dele. Terno. Imenso. Cheio de tudo. A beleza em que já não acredita a deixar traços de pureza na ponte. E uma saudade tão grande que quis abraçar ponte e rio e tudo. Ele a esclarecer a forma difusa dos pensamentos com palavras. E depois o silêncio como se tudo fosse dito. E ela a flutuar nas vagas do que o medo calou. Dores caladas nas conversas que o volante ouviu enquanto guia como se fugisse do alcatrão gasto. E um cansaço tão grande tão cheio de tudo que ninguém vê. Ele noutra estrada. Desencontrados. As linhas puras de uma arquitectura desfeita de sentido. As pedras da calçada de um caminho ainda pressentido. Só uma bruma que um dia foi chão. E a certeza que nunca ninguém a vai amar assim. Um anoitecer frio e belo às portas da cidade onde se amaram. Restos de calor. Um corpo ainda a querer o outro. E sempre a ponte nos olhares que nunca deixaram de se procurar. Amo-te. Escrito na luz da cidade.



Bons Pensamentos*



Fotografia: Ponte D. Luis. Porto. Março, 2008

Quinta-feira, Dezembro 25, 2008

Mais um ano

O tempo passou quase sem o vermos. Um ano em que o (meu) mundo se fez em luz cambalhota tristeza e abismo, esperança conquista surpresa e fim, serenidade paz frio e caos. Um ano em que os pensamentos rodopiaram na intensidade das minhas danças da minha inocência da minha desilusão e da minha esperança. Um ano feito de ilusões desilusões certezas e memórias. Um ano de crescimento nostalgia porto e magia. Mais um ano fiz meu este espaço e pedaços de mim vaguearam neste trilho sem suporte físico. Mais um ano no blog e no mundo. Aproveito para desejar festas felizes a quem se perde e pára aqui, a quem se perde aqui, e a quem se encontra nas palavras que por aqui andam. Um 2009 cheio do que (mais) queremos.



Sofia


Bons Pensamentos & Bom Ano Novo.

Terça-feira, Novembro 11, 2008

todos os amores são impossíveis

Sinto(-te) tanto. Meu amor impossível. Todos os amores são impossíveis quando o tempo é feito de ausência e degraus de vida até ao planalto dos teus braços. Meu amor impossível. A vida nunca teve mundo para nós. E sinto(-te) tanto. Guardo-te num beijo. Como se pudesse guardar um beijo como guardo um talão do multibanco ou as chaves do carro onde o teu lugar vazio ouve as palavras do meu dia. E a minha voz sozinha que é a música da solidão que me deixaste...

Segunda-feira, Novembro 10, 2008

Dardos.




Este Lupanar do Pensamento foi surpreendido com o "Prémio Dardos" presenteado pelo edu do "Porque nem sempre estás aqui comigo..." e pela ana do blog "Encosta do mar". A ambos obrigada... Por detrás de todos os pensamentos deste Lupanar está um alguém que gostava de pensar que toca outros pensares.






Com este prémio




"reconhecem[-se] os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc, que, em suma, demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras, entre as suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web."



Quem recebe o "Prémio Dardos" e o aceita deve seguir algumas regras:
1- Exibir a distinta imagem
2- Linkar o blogue pelo qual recebeu o prémio
3- Escolher quinze (15) outros blogues a que entregar o "Prémio Dardos".

Aqui vão alguns dos blogs que admiro:




Por tudo o que fui-sou nas vossas palavras e nos pensamentos que fazem nascer.
Sofia.
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Bons Pensamentos...

Segunda-feira, Outubro 13, 2008

guarda-me



guarda-me
adormecida para sempre no teu peito

ou deixa-me voar uma vez mais sobre
esta terra de ninguém onde morro
por qualquer coisa que me fale de ti

há noites assim em que o silêncio
se transforma ao de leve numa lâmina
que minuciosamente rasga o linho
onde ficou esquecido o corpo que habitámos
em provisórias madrugadas felizes

depois é só abrir os braços e acreditar
que ainda faltam muitas horas para a partida
e que à-toa pelos corredores ainda escorre
uma razão primeira a trazer-me de volta

e eu adormecida para sempre
no teu peito

e eu acorrentada para sempre
no teu peito

e de novo entre nós aquele choro de quem
não teve tempo de preparar a despedida
com as palavras certas
porque as palavras certas estavam todas
em histórias erradas
que outros escreveram em lugares nublados
que nem vale a pena tentar recompor

muito ao longe uma voz desgarrada
estabelece o fim do verão

e eu adormecida para sempre
no teu peito

e eu acorrentada para sempre
no teu peito



Alice Vieira



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guarda-me. de olhos fechados dentro do teu abraço. e se já não for nosso o tempo deixa-me voar nos escombros destas tréguas sem sentido onde tento fugir do teu silêncio. há noites assim em que a distância é a escuridão que apaga os rastos dos dias em que éramos duas crianças vestidas de luz a brincar sobre a vida e os sonhos. e depois é abrir os olhos e engolir as lágrimas para que o horizonte se limpe. acreditar que a eternidade existe e a partida é só o nome que os fantasmas dos meus medos me gritam e que no céu agora claro ainda vive o brilho dos meus olhos de menina. que adormece sem te conhecer no teu peito e cresce e ergue fundações para te abraçar o coração. e entre nós a distância como se doesse saber no abraço o crepúsculo de uma despedida. e fica o silêncio entre as palavras que nunca se quiseram certas num adeus. e uma menina adormecida para sempre no teu peito.



Bons Pensamentos*


Fotografia: Outubro, 2008. Chaves.

Domingo, Setembro 21, 2008

Sabemos a verdade



Escrevo-me com o peso dos anos sobre a caneta. E a tinta invariavelmente azul tinge ausências que movem estes passos incertos no papel. Tempo. Tempo. Tempo. Tanto tempo meu amor. Dentro de mim. As carícias turvas dos séculos. O ferro e o sangue das sepulturas de mim que a vida abriu e esqueceu sob céus plúmbeos e frios. A chuva dos dias que nos restam como um manto das nossas mãos. Escondidos nos caracóis irregulares do teu cabelo os relâmpagos belos da nossa paixão. O teu corpo. Quente. Puro. Meu. Corpos. Magia maior. Um. Um punhado de sol a prometer rumos de paz que aprendi devagarinho na geografia da tua alma.
Escrevo-te com o azul de uma noite nossa. Agora que os sonhos dormem a solidão só se exorciza no teu abraço. E no azul breve dos teus olhos amanhecem todos os outonos que nascem dos meus. E quase que mergulho nessa luz líquida e delicada. Mas fico aqui e o mundo acaba na ponta dos meus dedos. Sorrio-te e espero-te numa curva de silêncio de olhos fechados à espera do sussurro da tua voz. Sabemos a verdade. Amo-te.


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Bons Pensamentos*

Segunda-feira, Julho 28, 2008

"e os olhos que me trazem todas as certezas do mundo"



Poesia

O passado servia-me de alimento. A memória dava me
o fogo de que eu precisava – mesmo que esse fogo ardesse
no lume brando da imaginação. As árvores, os pássaros,
os rios, eram imagens que não passavam da literatura,
como se fossem apenas as árvores do poema, os
pássaros de um canto melancólico, os rios por onde
corre o tempo da filosofia. Agora, ao lembrar me
de tudo isso, enquanto bebo devagar este copo de
solidão, não reconheço o cenário: como se um vento
tivesse varrido as árvores, um outono tivesse expulso
os pássaros, um inverno tivesse desviado os rios. O
que vejo, neste espaço em que entro pela porta que
me abriste, é mais simples do que tudo isso: tu, com
o rosto apoiado nas mãos, e os olhos que me trazem
todas as certezas do mundo. Guardo comigo, então,
a tua imagem. Vivo cada instante que me deixaste. E
no tempo que nos separa voltam a crescer árvores,
cantam outros pássaros, correm os rios do amor.


Nuno Júdice

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Fotografia: O (Porto) Pedro Moreira

Sentei-me na memória do teu nome. E eras tu o que eu precisava para descansar, mesmo que a tua presença dançasse apenas dentro de mim. E era ontem que trocávamos palavras, tocadas por pedaços de nós, como se fossem tesouros inestimáveis e secretos. A ponte roubou o calor que brilhava no teu cabelo, e aqui e agora já se pôs um outono infante num crepúsculo inevitável. Mas guardo todas as tuas palavras. O contorno de cada uma delas. Dentro de um bolso no coração, do lado esquerdo do peito. E neste tempo sem idade tiro-as e contemplo-as de novo. Há uma paz tão cheia de mim que me pesa e resgato as tuas palavras no meu colo. Embalo os seus sentidos e sombras e luz. Teço a tua presença a lembrar-me que a solidão não é toda a noite nos meus braços. E sou como um balão cheio de sonho, que flutua sereno, a estender-se na mão de uma criança. E com os olhos cheios de estrelas a criança és tu. E ao fundo o mar beija em traços de meia-noite o escuro do céu. E vivo-te todos os instantes do meu tempo. Num eterno presente que indica irrepetidamente a tua presença. Dentro de mim. Sempre.

Bons Pensamentos*

Terça-feira, Junho 10, 2008

...





Porque há músicas que são como albuns de fotografias em tons de sépia-sonho-d'ontem.



Bons pensamentos*

Sexta-feira, Junho 06, 2008

"Mas é eterno em nós"




Hoje, só por ser Outono, vou chamar-te “meu amor”
Contra as regras do que somos, vou chamar-te “meu amor”
Hoje só por ser diferente te encontrar
É tanto o fado contra nós
Mas nem por isso estamos sós
E embora fique tanto por contar
Hoje, só por ser Outono, vou…

Entre dentes, entre a fuga, vou chamar-te “meu amor”
Enquanto não se encontra forma, vou chamar-te “meu amor”
Entre gente que é demais e tão pequena para saber
Que é tanto vento a favor
Mas tão pouco o espaço para a dor
Só pode ficar tudo por contar…
Hoje, só por ser Outono, vou…

E há flores e há cores e há folhas no chão
que podem não voltar…
podes não voltar.
Mas é eterno em nós
e não vai sair…

Desce o tempo e a noite vem lembrar que as tuas mãos também
já não são de nós para ficar

Por ser tanto quanto somos
Certo quando vemos
Calmo quando queremos

Hoje, só por ser Outono, vou…



(Outono - Música de Tiago Bettencourt, do álbum O Jardim)




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Fotografia: Num tempo que não é o nosso. Paulo A.

Uma das melodias que me embala os quilómetros perdidos no cansaço de um anoitecer qualquer, quando sussurro «meu amor» para me agarrar ao mundo, para não me perder no mar de alcatrão que me cega os sentidos, para ter-te nos lábios e beijar-te a lembrança...


Este outono será azul até ao fim do mundo



Bons Pensamentos.*

Domingo, Maio 18, 2008

voo des_feito



para que servem as asas de uma andorinha quando não
há primavera?








será que já esgotei a primavera do meu tempo?







e se já não houver primavera para a andorinha, meu amor?

Terça-feira, Maio 13, 2008

"leva-me em ti"



Um pouco de amor é tudo o que peço.

Beija-me só às vezes, fala-me sempre que

as trevas batem nos meus ombros,

quando tenho medo.

...

Um pouco de amor é tudo o que peço.

Toma a minha mão e leva-me...



José Agostinho Baptista



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Levas-me? Amanhã. Dás-me a mão. Um pouco de amor?... A ser as mãos. Dadas. Sem saberes, foste o (meu) céu. Um pouco de amor. Levas-me em ti? Céu. Sem saberes foste a (minha) luz. Quando tenho medo. Fecho os olhos. Sou em ti. Por ti. Aqui. Longe daqui. Tenho medo de o mar ser maior. Falta-me a tua luz. A ser bússola do meu sorriso. Trevas nos meu ombros. Abraça-me. E ama-me. Num beijo. Doce. Manso. Imenso. A tua voz. Guia dos meus passos. Ama-me. Paz. Luz. Céu. Amor. Ama(s)-me? Um pouco de amor?


Bons Pensamentos*

Fotografia: "E o horizonte desistiu de nós" - Joana Saraiva

Quarta-feira, Maio 07, 2008

"e eu sou as linhas"

"Pontes. Carros. A noite pincelada de restos de luzes. E os meus passos parados, inúteis, dentro deste comboio, com destino traçado fora de mim. Procuro. E penso. E sei. Não tirei bilhete, tenho as mãos vazias. Não entendo a minha viagem. Da janela é a escuridão que me enche os olhos de medos e noites. Negro na noite e em mim. Anoiteceu, dentro de mim. Quis agarrar a paisagem para sossegar o peito triste, mas fugiu-me, desenfreada, do abraço, e ficou para trás. E o teu abraço… meu amor… Queria(-te) tanto… Onde está(s) a minha primavera , neste fumo turvo, que me confunde os sentidos? Vejo-me inverno nesta lágrima, risco de lua transparente, nesta viagem que não quis. Tantas pessoas em burburinhos surdos, e eu tão sozinha. E a paz, dentro dos teus braços. Onde estás? Este chão em movimento, a fugir do mundo dentro da vida. Este chão onde o desespero me estende e me mata devagarinho. Abraço-me, como se fosse com os teus braços, e preciso-te tanto… E o comboio sempre a andar veloz e negro, a roubar-me o descanso dos olhos. Cega e cansada sussurro-me o teu amor, enquanto a velocidade me arranca restos de lucidez. E eu sou as linhas rasgadas pelo trilho deste comboio no meu corpo, a questionar destinos, sentidos, e o fim. Procuro a tua imagem dentro de mim, para a solidão não me enlouquecer. O fim…? O vazio. O céu-noite nos meus olhos fechados. A paz, meu amor… A paz… Meu amor…!?!”



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Bons Pensamentos*

Quinta-feira, Abril 10, 2008

De mão dada




"O tempo, infinito tempo, em que te abracei. O tempo das memórias. O tempo da tua voz. O tempo, inacessível tempo, dos nossos beijos. Inatingível tempo do Nós. O tempo das memórias fingidamente esquecidas do futuro tempo sonhado. O tempo das lágrimas, queridas lágrimas. O tempo da incerteza. O tempo do carinho. O tempo do nada e da tristeza, na tua ausência. Este tempo em que te digo: - Fala-me, não pares de falar. Ouvindo-te tenho a certeza de que sou real, e de que também tu és, fora de mim, real."


Frase retirada de “Lembranças” – Manuel António Pina


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Sentei-me. A tua presença. A minha arrogância frágil a ser arma de arremesso dos meus medos. O teu sorriso envergonhado cheio de dúvidas, de quem descobre, pela primeira vez. O sol a desenhar traços de Outono e anos sobre os nossos passos. Novo Outono. O meu descanso no teu riso. O anoitecer suave do tempo que te dei. O teu sorriso que levei na mão. O tempo a abraçar-nos. Um abraço profundo. Feito de nós. Novos tempos. Novos céus. Novos voos. Vejo as tuas asas fortes e belas. Sorrio por ti. Um sorriso para ti. E estás sempre comigo. Num abraço profundo. Num presente do passado. E no meu coração. O teu espaço. Claro e quente.


Às vezes acho que o coração é feito de pedaços de gente. Gente que deixou ecos do que fomos quando éramos... Quando existíamos nos seus olhos. Somos pedaços de mundos. Aqui. E não fugimos de nós. Porque somos o que resta, meu amor. De mão dada. De pés assentes no passado. De mão dada. A tentar olhar o futuro. De mão dada. Sentido. Uma promessa de dedos entrelaçados. Lembras-te meu amor?


Bons Pensamentos*

Fotografia: Degraus em dia de chuva. Açores. Janeiro, 2008.

Sexta-feira, Março 14, 2008

Aqui meu amor.

Aqui
Quando os dias já nos roubaram pedaços de eternidade. Como o céu. O tempo. A devolver-me os teus olhos, como a força das marés a puxar o mar à terra.
Aqui
E noutro dia. Noutra hora. Noutro tempo que me trouxe a paz do teu abraço. Dos teus olhos. Dentro dos meus. A despirem-se de mundo e adormecerem nos traços de serenidade com que me deste a mão.
Aqui
Dentro de mim.
Cada vez mais.

Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

hoje tenho o teu rosto dentro de mim

amor


o teu rosto à minha espera. o teu rosto
a sorrir para os meus olhos. existe um
trovão de céu sobre a montanha.

as tuas mãos são finas e claras. vês-me
sorrir. brisas incendeiam o mundo.
respiro a luz sobre as folhas da olaia.

entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos.
este dia será sempre hoje na memória.

hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas.
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.


José Luís Peixoto in A criança em ruínas

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Tenho saudades...

________________de encontrar o teu corpo

_______________________________________...nú...

________________________________________________...na minha pele...



Bons Pensamentos*

Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

Estou aqui.

Estou aqui. E tu? Onde estarás agora?
Neste tempo que me consome, sem as tuas mãos delgadas a brincar com os ponteiros do relógio, como se fossem só mais um dos caracóis do teu cabelo.
Amei-te e esqueci-me de mim. E agora preciso da luz e sinto-a dentro de ti. Preciso de ti a desbravar mantos de negro deste deserto a que chamam dias. A que chamam noites. Vens? Será que voltas?
Sei que te espero como uma manhã que promete outro futuro. Fecho os olhos e sei que virás. E nessa altura a tristeza voa para longe de mim, como as andorinhas que descansam por dentro dos meus olhos.
Debaixo dos meus passos, degraus de pedra. Frios. A cor cinzenta. Aquela cor que não gostas. Mas que há muito escolhi para me colorir as palavras. Como num limbo entre a luz e a escuridão. Entre o sorriso da manhã e o silêncio introspectivo da noite. Entre o êxtase de ti e a verdade da tua ausência.
Penso(-te). Uma promessa feita céu nos teus olhos. Penso no teu olhar e penso. Céu. Sempre. E arrependo-me da metáfora fácil e óbvia de ver o céu nos teus olhos azuis. Ou o mar. Penso. Mar. Olhar(-te). Mas que mais poderia estar dentro de um mundo? Só o mar. Um céu. O céu. E eu rendida, esmagada e embalada pela grandiosidade de um olhar teu.
Desço os olhos e as tuas palavras escritas como o sangue a dar vida ao coração prendem-me à terra e são raízes do mundo. As tuas palavras dançam-me diante dos olhos. Sento-me num degrau da tua ausência e desdobro as folhas envelhecidas por outras ausências onde me deixaste restos de luz. Leio tudo o que (me) escreves. Poemas. Pontes. Olhos. Ecos de um amo-te que continuamente desafia o precipício dos meus lábios.
Depois de planar os recantos da memória dos teus braços, deixo os meus olhos serem asas e passearem o mundo que te beijou os passos, sem saber como te amar. E eu amo-te tanto.
Levanto-me neste entardecer de inverno em tons de outono. O meu silêncio é uma oração pela primavera do teu corpo. O meu silêncio é um rasto de voo perdido no teu rosto. Uma confissão. Um momento. Um instante. E o sabor esmagador dos teus lábios no ocaso de um beijo. Um relâmpago a trazer-me aos dedos e aos olhos a geografia dos contornos do teu corpo. Um paradigma de luz afirmando a alma que espreita nos gestos do teu abraço.
Estou aqui. E tu?
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Bons Pensamentos*

Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

É de mar a distância





"O céu aqui parece maior, como se soubesse que, à sua volta só se estende a imensidão do mar, sem mais prisões ao seu azul. É de mar a distância. Azul como os teus olhos. Esta neblina a roubar a terra. O vazio dos meus braços. A paz distante de mim e à minha volta. A única paz que abracei longe longe longe. O vento no meu cabelo. A tua ausência a afogar-me as forças. A_noite_ce aqui. Aconteceste-me para sempre. E a noite é feita de estrelas e nuvens escuras. O cigarro já desapareceu entre os meus dedos feitos de noite. O céu desceu em negro nos meus olhos. E tu. Fazes-me falta. Deixo os meus olhos abraçar o horizonte, como se te abraçasse. E fazes-me tanta falta."




Nos trilhos da tua ausência
Em todos os quilómetros que me afastam de ti
No tempo que se arrasta longe dos teus olhos
És parte de mim
Longe de mim
Fazes-me falta
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Bons Pensamentos*


Fotografia: Janeiro, 2008, costa de Ponta Delgada - Açores.

Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

carregados de céu



...Os teus olhos em tons de Outono... Os meus carregados de céu....






Os nossos olhos fundidos num só olhar.
No céu dos meus olhos.
Um eterno encanto na tua mão.
No quadro do teu olhar.
No rodopio da tua presença.
Na ternura do teu corpo. Dos meus gestos.
Em ti. Dentro de mim.
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Um novo ano cheio de bons Pensamentos*

Sofia.

Quinta-feira, Dezembro 27, 2007

Só os teus olhos



Só os teus olhos poderiam ser o embalo dos meus desencantos.
Mas se vejo espelhados nos meus a tristeza dos teus, como somar mais dor à tua dor? O piano das minhas mãos vazias. O ar dos teus cabelos na memória de um silêncio cansado. A tristeza a conquistar espaço ao céu como as ondas das marés empurradas pela lua. O tempo a roubar-nos restos de noites feitos espuma num areal nocturno. A desaparecer por entre as nossas mãos fechadas. A minha cabeça pousada no teu colo de sonhos e contornos de cais e âncoras. A tua ausência a escurecer de sombras o chão dos meus passos. O céu. A lua que um dia vi na beleza prateada da tua pele. O frio a ser lâmina do meu olhar que procura o que já não achava que fosse encontrar. Será que ouves o meu grito silenciado? Uma voz na noite a sussurrar o teu nome? Um fio de voz a denunciar-me o vazio? “Meu amor…Meu amor… Meu amor…”



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Bons Pensamentos*

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007

as tuas palavras


"...amo-te a ti como a ninguém. como nunca.
nunca te deixo.
pertenço-te. amo-te. abraço-te. protejo-te. sorrio-te..."



escreveste-me tu um dia. e agora pego nas tuas palavras e deixo que me deslizem pela pele como uma carícia das tuas mãos, perpetuada pela ponta dos teus dedos. as tuas palavras são lábios a selar sentimentos com um beijo extasiado em doçura. as palavras escritas por ti são o teu cheiro e pedaços da tua presença agora que não estás. palavras como promessas, como paradigmas da nossa verdade. palavras a ser o elo para a realidade dos teus braços.


Amo-te. Pertenço-te. Fazes-me falta.
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Bons Pensamentos*

Fotografia: Maio, 2007, Troço da A25, depois de Viseu.

Sexta-feira, Novembro 23, 2007

Tu. Aqui.



Atravessei o rio.
O sol molhado na ponte.
O rio.
A luz.
Um cheiro distante a mar.

E a ponte, vazia de nós, ficou.
Erguida e vazia, sobre o rio das nossas mãos dadas.







E no fim. Tu. Sempre. Sempre. Sempre. Tu. Aqui. Dentro de mim.
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Bons Pensamentos*

Domingo, Outubro 21, 2007

Queria olhar-te e dizer-te que a felicidade existe





"Hoje continuo a ir à praia. Ouço. Sinto. Saboreio tudo e abraço a maré que o mar me traz. Inscrevo em mim uma paz a rondar-me da maresia que espelho nos olhos e tu respiras. Regresso mais serena, mas triste. Tão triste. Triste. As teclas do piano numa melancolia angustiante. Desacreditada não sei se da vida, se de mim ou do vento que atravesso. Já não me sento apenas. Já não corro. Livre. Nem rebolo. Não lavo num gesto rejuvenescedor a cara com uma mão cheia de ondas. Vagueio, transeunte, de caminhos que percorri nos trilhos da minha dor. Desassossego. Respiro fundo. O suicídio ainda não resolve a equação deste romance que traço na mente.

Vais à praia também. E sofres. Foges. Choras. Amo-te. Não estou aí mas aconchego-te a dor em algodão de carinho que aprendi a tecer nas linhas das tuas mãos. Não sabia o aeiou mas desenhava no ar as letras de um amo-te sussurrado quando sonhei com o teu rosto a primeira vez. Sempre soube que choravas deitado sobre a tua alma a sangrar no parapeito da tua vida. Sempre quis abraçar-te e dizer que acreditasses que serias feliz, que as nuvens iam passar. Mesmo quando sabia que era mentira, que não devias confiar nas minhas palavras porque depois da tempestade poderia vir a bonança, mas o que nos arrebata é uma dor ininterrupta, cronicamente aguda, que nos despedaça apáticas desconstruções. O piano calmamente. A cada nota, um destroço. A cada tecla. Uma lágrima muda que não se liberta. Acreditas em mim e eu digo-te sempre o mesmo. Não nos abandona esta maré de tristeza.(...)

Percebo enquanto desenho o teu rosto no ar e o acaricio que a Paz não existe. Como a felicidade. Como Deus, entretanto. Passei a adorar-Te quando entregava a minha pele ao aroma doce dos teus olhos e saboreava o Outono azul da maré de beijos que segredavas nos recantos da nossa paz. Foi no amor. E no amor. A Paz num lugar mirabolante sem coordenadas. Desenhei a beleza dos teus traços a carvão dentro de mim e não mais te deixei… mesmo quando saias de casa e choravas numa rocha… mesmo quando inventava trabalho atrasado e chorava três rochas depois da tua. Abracei-te e pertenci-te, meu amor… meu amor, adoro a paz que me desembrulhas nos olhos quando me acaricias, me sorris e escreves na areia o mesmo amo-te sussurrado que desenhava sem conhecer o aeiou. Quando juntos brincamos e beijamos o pôr-do-sol nos nossos olhos… de olhos fechados não há tristeza que nos roube as solidões acompanhadas e felizes, vencidas num a_mar. E o piano… o piano… numa maresia de notas quase tão belas como a paz do teu abraço."



Sophia Paixão in Um a_mar.

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Continuo a ter passos de mar. O tempo passa pelos meus passos no chão e ainda encontra as pegadas na areia da praia que refugia a dor que levo nas mãos, como quando era menina e queria levar o mar para casa. Nos olhos cegos de azul desce uma paz a abraçar-me o caminho, como um abraço teu, polvilhado de maresia. O mar, que nos viu regressar, acarinha-me sempre numa serenidade sem nome, calma e triste, como estas ondas mansas de sal e restos de noite. O piano que não consigo tocar ouve-se arrastado pelo vento numa melodia angustiante e dorida. Teclas feitas de lágrimas, salgadas como o mar. O mar aqui aos meus pés. O piano erguido em silêncio esquecido nas pautas que riscam o horizonte. Já não corro com os pés leves e o riso despreocupado a ecoar no mar que sempre amei. Caminho como se os meus passos fossem contados, cada onda feita num metro de trilho, areia e solidão.
Vou à praia também. Sempre fui, ainda antes de te conhecer, criança do mar. Fujo do mundo e escondo o rosto nas mãos de frio e aromas de maresia. Choro e quero-me esquecida e pequenina, uma herdeira sem herança, do mar que sempre amei. Nas mãos fechadas o cansaço rende-se à solenidade deste horizonte. O que teci desfaz-se como a espuma do mar feita de vento e sal, e restos de lua a puxar uma onda. Na união de elementos que me rodeiam quase que sinto a doçura dos teus gestos e a ternura do teu carinho. Esperei-te sem saber que um dia te ia ver os olhos. O mar azul evoca a criança que já não me descansa no colo. Desde o dia em que deixei os meus olhos entrarem nos teus vi as lágrimas que escondias do mundo, nos ecos do oceano, pai do teu olhar. Queria olhar-te e dizer-te que a felicidade existe. Mas nas nossas mãos unidas numa paz serena, ambos sabíamos a mentira dos nossos sonhos. E acreditava. E acreditavas, só para veres o sorriso dos meus olhos, quando te dizia que íamos ser felizes um dia. Sem crer na felicidade amei-te sempre acreditando em ti. E neste antagonismo abracei-te a alma recolhida e abrigada na minha, tão frágil como um desenho no areal dos nossos passos.
A paz não existe. Mas amei-te e beijei a paz das nossas mãos. A felicidade não existe. Mas sou tão feliz dentro do teu sorriso. Deus não existe, mas foi nas tuas palavras em surdina, que me li divina nos teus gestos. Foi no amor que descobri os recantos da paz e as coordenadas da felicidade. Guardei-te dentro do amor que nasceu só por ti, sempre. Mesmo quando as nossas lágrimas se encontravam na mesma praia, longe de nós. Mas pertenço-te, como a este mar que se debruça nos meus olhos. E amo-te. Amo-te. Na paz que canta dos teus olhos, quando os meus gestos desenham, sob os nossos pés, a verdade inequívoca dos meus passos. E da areia faço tela e pinto com os dedos: Amo-te. Este amo-te que ecoava no mar antes de te conhecer. Na felicidade do nosso riso que enche de música a voz do mar à nossa volta. No amor que me repousa os cansaços dentro do teu regaço. Num amar. Neste a_mar. "
E o piano… o piano… numa maresia de notas quase tão belas como a paz do teu abraço."

Bons Pensamentos*

Fotografia: Agosto, 2007, Praia da Vagueira, Aveiro.

Terça-feira, Outubro 09, 2007

.piano das tuas mãos.

...

E o piano que eu nunca soube tocar repousa,
no silêncio angustiado,
das minhas mãos vazias,
a implorar-me…
Música.

...


Com as mãos cheias de silêncio,
os olhos ansiosos de mar,
os membros cansados de vida.



Bons Pensamentos*

Domingo, Setembro 30, 2007

o amor nos nossos olhos

"Entre nós, não havia distância porque éramos atravessados um pelo outro. Fazíamos parte de um lugar infinito que era igual em cada um de nós. Não éramos fronteiras dentro desse lugar, porque esse lugar não tinha fronteiras. Esse lugar era infinito. Esse lugar era o amor nos nossos olhos."

José Luís Peixoto in Uma Casa na Escuridão



...porque o meu amor por ti, são todos os amores que existem...
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Um passeio nas linhas sinousas das palavras que nascem da luz que deixaste para trás. Um passeio nos preâmbulos da tua ausência pelas linhas de outras mãos que escreveram e de outros olhos que amaram. Um passeio na tua ausência desenhada nos contornos da tua presença, da tua mão entrelaçada na minha, do céu repousado em outono, do amor nos nossos olhos.
Bons Pensamentos.*

Segunda-feira, Setembro 17, 2007

a noite no sangue



A noite espraia-se como uma mancha no ar e abraça tudo.
A noite fica-nos no sangue.
No sangue que se perde nos labirintos que és, enquanto de olhos abertos, cega pelo céu que a noite te roubou, esperas que o sono te tire a dor de pensar.
A insónia espraia-se, a noite alarga-se, o sangue espalha-se por (dentro de) nós.
A dor palpita-nos suave e cruamente vigorosa, o sangue dói-te o olhar, e o cansaço pede-te o embalo do fim.
Fechas os olhos e por detrás das pálpebras fechadas encenas-te como se nascesses de novo.
Da tua morte só as lágrimas que sentes serem tuas sabem.
Choram-te, mesmo que ainda não possas morrer. Choram-te o que já morreste, o que ainda não viveste - a noite abraça-te -, choram-te como se a dor fosse música de embalar - a noite embala-te -, choram-te a vida que te morre - a noite mata-te. Dormes.

in Hypnos

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Bons Pensamentos*

Domingo, Setembro 09, 2007

deste-me a tua mão





Estrada branca


Atravessei contigo a minuciosa tarde
deste-me a tua mão, a vida parecia
difícil de estabelecer
acima do muro alto
folhas tremiam
ao invisível peso mais forte.
Podia morrer por uma só dessas coisas
que trazemos sem que possam ser ditas:
astros cruzam-se numa velocidade que apavora
inamovíveis glaciares por fim se deslocam
e na única forma que tem de acompanhar-te
o meu coração bate.

José Tolentino de Mendonça


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Foram séculos espraiados em amanheceres, que dancei contigo, numa valsa perdida, nas cordas brancas e negras de um piano esquecido. Em detalhes que me faziam perder do mundo, encontrei a tua mão que me salvou do chão nascido para agarrar quedas e pó, nesta estrada branca. As árvores enchiam o ar de som e folhas cansadas, e várias verdades morriam-nos aos pés, exangues de lutas, cheias do sangue de causas perdidas. A morte sempre nos rondou os gestos, morte crescida erguida de lutas antigas e prematuras, como a criança feita de nós que caminha na nossa sombra. Amor... Meu amor...! A paz... A paz, a paz?!? Tudo gira a uma velocidade alucinante que me confunde os sentidos, e tempestades de gelo orbitam à nossa volta... A mão... a tua mão... procuro-a sempre, como uma talismã de tempos antigos. "e na única forma que tem de acompanhar-te o meu coração bate".


Bons Pensamentos*
(Fotografia: Junho, 2007, A1 - Estarreja)

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

a nossa e_terni_dade



Parti, um dia perdido nos dias, e levei-te pela mão. Pela mão percorremos trilhos em que o céu se perdia nos desenhos de luz, fora de nós. Fora de nós, fiz-te passear o mundo que aprendi a re(vi)ver na memória terna da tua beleza azul. Azul o céu por cima dos nossos passos, que embala a paz por que tanto choramos, quando a angústia nos abraça a solidão. A solidão que dissipas numa dança de névoas de luz concretizadas num abraço intenso, como se o meu corpo fosse feito de traços desenhados cuidadosamente por um lápis teu, feito de corpo e carinho. Carinho que te faz sorrir enquanto me olhas num sorriso, onde me perco na ternura que respiro, em que os teus lábios se desenham. Desenham-se visões que te mostro, que ainda não conhecias na tela azul do teu olhar. Olhar(-te) e mergulhar em ti como uma gaivota mergulha neste mar onde rodopiamos numa tontura de riso e dança. Dança em com_passos de paz e rodopios longe do mundo que nos viu nascer sozinhos e onde primeiro te senti, olhar estendido num doce abraço. Abraço e fecho os olhos perdida nos teus (a)braços, na nossa e_terni_dade, nesses olhos de mar e céu, em que despreocupadamente mergulhei. Mergulhei num mar que se abria aos nossos horizontes serenos e que te apresentei, desconhecido, que há muito que já conhecia o calor do meu corpo ainda antes de ser conhecido por ti. Por ti atravesso escadas e trilhos para descobrir(mos) encantos ocultos em cada toque. Em cada toque o (re)descobrir do teu corpo que acarinho numa dança de luz. Numa dança de luz em que te sorrio, e num es_passo suave em tons de piano, em que te guardo, te acarinho, te amo.



Parti, parti(mos), parti(ste). Parti de ti e levo-te pela mão. Sempre.

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Bons Pensamentos*

Quinta-feira, Agosto 23, 2007

és a perfumada distância do mundo





Este é o orvalho dos teus olhos.
Esta é a rosa dos teus vales.
O silêncio dos olhos está no silêncio das rosas.
Tu estás no meio,
entre a dor e o espanto da treva.
Arrancas-te ao mundo e és a perfumada
distância do mundo.
Chego sem saber, à beira dos séculos.
Despenho-me nos teus lagos quando para ti
canta o cisne mais triste.
O pólen esvoaça no meu peito, junto às tuas
nuvens.
Esta é a canção do teu amor.
Esta é a voz onde vive a tua canção.
As tuas lágrimas passam pela minha terra
a caminho do mar.

poema de José Agostinho Baptista
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Uma maré dos teus olhos pesados da névoa que adorna os vales, num amanhecer que ninguém se lembra de guardar, espreita por entre o céu. Beijo(-te). Um silêncio espraia-se e envolvo-te nos braços como se os meus (a)braços fossem silêncio do teu silêncio, o orvalho da rosa serenada em azul. Embalo-te. Passeias num mundo que se esqueceu de como te amar e sem asas ergues-te na luz perfumada que nem sabes nascer de ti. Olho-te. Chegamos num assomo de espanto "à beira dos séculos" e o tempo transmuta-se sob os nossos pés. Sorrio-te. Caio nos teus lagos salgados de mar e (en)canto_me num fio de voz que sobe no vento e te canta em surdina. Perco-me. O vento despenteia-me o cabelo que se passeia junto ao teu a_mar feito de um olhar teu. Encontro-te. Este é o tempo da tua voz, a voz do nosso tempo, encosto-me a ti e de olhos fechados: sinto-te. Sussurro-te. A maresia do teu rosto beija o vento do meu e desagua, mansa, num beijo. Amo-te. Beijo-te num recanto perdido de nós e quero escrever-te uma obra prima, mas as palavras, maiores do que eu, assassinam a tinta que escorre da caneta numa litania sem sentido, como uma lágrima quando se abandona a um rosto.

Bons Pensamentos*


(Fotografia: Abril, 2007, Foz do Douro)

Sábado, Agosto 18, 2007

A_mar-te


"A_mar-te: a mergulhar nesse azul, pontilhado de dourados que enchem de luz o meu horizonte. Olhar-te: espelho de ternura, e fixar-te o olhar como se beijasse esse céu azul e poente. Sorrio, e sorris em resposta, e o brilho dos teus olhos abraça os meus, numa carícia que não se toca. Os olhos da alma não reconhecem limites, e ao amar-te o olhar, acaricio-te os contornos da alma que despontam da tua íris oceânica. Amar-te… Os teus olhos, o meu caminho…"


in Amar-te

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Bons Pensamentos*

Quinta-feira, Agosto 02, 2007

Quero-te para além das coisas justas


Quero-te para além das coisas justas
e dos dias cheios de grandezas.
A dor não tem significado quando ma roubam as árvores
as ágatas, as águas.
O meu sol vem de dentro do teu corpo,
a tua voz respira a minha voz.
De quem são os ídolos, as culpas, as vírgulas
dos beijos? Discuto esta noite
apenas o pudor de preferir-te
entre as coisas vivas.

Joaquim Pessoa in À Mesa do Amor

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"Quero-te para além das coisas justas." Quero-te para além do que se pode conhecer, para além do mundo, para além do céu, do mar, do chão, que me alimenta quando me leva a ti. Quero-te para além dos dias, num murmúrio de noites aconchegadas no teu peito. quero-te para além das noites, numa brisa de manhãs espraiadas num beijo solar, num encontro fortuito com os teus lábios. A dor acalma-se e amansa-se sob a ternura das tuas mãos e a luz da tua paz que me abraça embalando-me o cansaço. Mesmo por detrás dos meus olhos fechados é a tua luz, o meu sol, a minha lua, que respiro com o outono trasmutado em primavera, dos traços iluminados da tua pele, numa girândola de luz em que rodopio. Canto baixinho e sinto a tua carícia na minha voz que te canta, e nas notas que ouço sairem de mim para ti. Canto-te como se não houvesse mais nada e, nessa noite cheia de luz, suspensa na beleza serena da tua presença e no som do (en)canto da minha voz, saio do mundo para ti, por nós. "Discuto esta noite apenas o pudor de preferir-te entre as coisas vivas. "

Bons Pensamentos*

Fotografia: Julho, 2007, Vila Nova de Gaia (vista sobre a Ribeira do Porto)

Segunda-feira, Julho 09, 2007

Não sabia que podia(s) ser tanta luz

A luz II


Tentei escrever-te
num poema,
mas a tua luz
cegou as
palavras.

Escrevo:
"amor" e é
luz que me
embala;
escrevo: "Tu"
e a tua
memória em mim -
traços de ti -
embala-me numa
girândola de luz,
em que rodopio
como uma criança:
serena,
sem mundo,
em Ti,
nas asas da
tua luz.

Não estás, mas
a tua presença
deixou rastros e
ecos de luz
que (me) iluminam.

Não sabia que
podia(s) ser
tanta luz…

Adormeço na
tua manhã, agora
que mataste
a noite e a morte
do céu, no teu
olhar-mar-de-luz.
Mea lux.



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Bons Pensamentos*

Sexta-feira, Junho 29, 2007

Não pode haver nos olhos outra cor



32.

Não pode haver nos olhos outra cor que
esta camuflada cor dos dias nunca uns
olhos suportam outra água que não
seja de um rio que se esgota outra
boca nascente não pode haver e assim

se prova um nome um sabor melancolia
não pode em caso algum surgir a
dúvida a dúvida acarreta o sofrimento
alonga a noite ataca a vida e tudo
tão escusado tanto excesso ao menos

que dos olhos se retirem as mãos
supostas súbitas muralhas contra a
cor nascida com o dia tão excessiva
a cor a dor esta melancolia que se
agacha no fundo de um olhar não

pode haver nos olhos outra venda ou
seu disfarce ou magro fingimento agora
que sabemos onde pomos este corpo de
outono consentido e destinado ao vento.

Nuno de Figueiredo
A Única Estação


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Não pode haver nos olhos outra cor? E, no entanto são estes dias que vejo, na íris do teu olhar, na permanência de céu com que me olhas. A vida na maré dos teus olhos. Esse mar que me inunda os horizontes e enche de luz os rios que desaguam na minha alma. Provo o teu nome e a doçura que desenha traços de melancolia e esboços da tristeza que nunca largou as nossas mãos entrelaçadas. A dúvida que estica a noite até fronteiras escuras que se perdem quando lhes tento ver o fim é a certeza que te terei nos braços mais uma vez, mesmo quando a vida nocturna se alarga num genocídio de toda a luz. As mãos que me tapam os olhos cegos sem ti, movem-se lentamente e libertam-me o rosto das muralhas que criei erguidas sobre mim e à minha volta. Calei o mundo, a cor, a dor, a melancolia segredada em cada poro da nossa pele. Livre de fingimentos, disfarces e forças imaginadas fico suspensa no vento da tua ausência, cheia de ti. Suspensa no meu outono que se reencontra azul nos teus braços e nas formas com que moldaste perenemente teu o meu coração.

Este outono será azul até ao fim do mundo.


Bons Pensamentos.*
Fotografia: Junho, 2007, Ponte Pedonal em Coimbra.

Domingo, Junho 17, 2007

caio em mim

“toco notas soltas de um piano que não há. que nem sei tocar. e, no entanto, a música dói-me por entre os dedos, e paira à minha volta, num silêncio marítimo incompleto sem mar.
saio de mim e mergulho no que sou. cada vez mais fundo. e mais. e mais.
e o piano desvanece-se entre os meus dedos vazios. dói-me no peito uma dor familiar, aguda e calma. um vazio que já não sei curar, apenas não lembrar. tudo o que fui-senti cai comigo. nesta queda livre em que o chão, que sou eu, se perdeu. como o piano em que eu (não) tocava. caio em mim. dentro de mim. de mim. de mim. caio em mim, meu amor. e nenhuma queda é mais funda do que esta.
nos dedos ainda com sabor a piano, dormentes de vazio, repousa a memória dos teus dias. amo-te em queda livre. e, no fim, quando piano, queda e dor, me abandonam, exausta e exangue, és sempre tu que ficas. a tua existência em mim segura-me. e o fantasma do piano embala-te em melodia e adormecemos, sem forças, de mão dada.”

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Bons Pensamentos*

Segunda-feira, Junho 04, 2007

Havia mais que céu no céu do teu sorriso






Era a primeira vez que nus os nossos corpos
Apesar da penumbra á vontade se olhavam

Surpresos de saber que tinham tantos olhos
Que podiam ser luz de tantos candelabros

Era a primeira vez cerrados os estores
Só o rumor do mar permanecera em casa

E sabias a sal, e cheiravas a limos
Que tivessem ouvido o canto das cigarras

Havia mais que céu no céu do teu sorriso
Madrugada de tudo em tudo que sonhavas

Em teus braços tocar era tocar os ramos
Que estremecem ao sol desde que o mundo é mundo



David Mourão Ferreira



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Um poema que me deixa sem palavras... "Surpresos de saber que tinham tantos olhos Que podiam ser luz de tantos candelabros "... Um hino, um poema perdido em céus que se desenhavam belos, puros e mágicos. Um Poema que me deixa sem palavras... Mas com Bons Pensamentos...


Fotografia: Bico do Cabedelo (Vila Nova de Gaia)


Domingo, Maio 27, 2007

todo o meu corpo te diz...

A minha religião

No teu corpo edifica-se um santuário, onde as orações que não sei pronunciar se perdem nos contornos da tua pele. Santuário onde descanso. Com os lábios e as mãos, com os olhos e os gestos, com a minha pele na tua, todo o meu corpo te diz sem palavras, a única oração que a minha alma sabe rezar: nunca te quero perder.
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Bons Pensamentos*

Sábado, Maio 19, 2007

o resto é saber o alfabeto de cor




Apetece por vezes

apetece por vezes com os dias morrer por um pequeno
instante e deixar os fogos soltos na areia . acrescentar
água à face e perturbar os sentidos em busca da única
luz ou então sentir os movimentos e escrever a uma

amiga. dizer assim como quem fala: que espécie rara
de deus é o teu? a vida é ficar abraçado às dunas
apenas se há dois braços de areia por quem sonhar.

vir então aos poucos contando os mastros do verão
cumprindo o desejo das cartas de mar e assim mesmo
confundir todos os relógios da rota apenas para ter

mais tempo para ficar. o resto é saber o alfabeto de
cor até ao fim para que as palavras vão nascendo
devagar até ser sonho no sono dos dias ou ser sono
dentro de mim

João Luís Barreto Guimarães

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Apetece por vezes morrer por momentos e suspensos de nós repousar a vida que embalamos nos braços, a criança que nos depuseram no regaço quando nascemos. a que sei que existe nos teus braços, e os teus olhos abraçam com tanto amor como tristeza. "que espécie rara de deus é o teu?" - pergunto-te baixinho e tu sorris, simplesmente, como se a minha dúvida fosse transparente.
a vida é no aconchego dos teus braços e na réstia de sonho que morre no sol que se põe no teu cabelo. é levantar os olhos e não te ver e saber as estrelas - tão tuas - como mapa e bússola, e as cartas de marear que trouxemos da mesa triste sem a vida que repousava naquele papel. é saber o caminho e ignorar a estrada para ganhar mais vida no tempo que morre todos os dias sem nós."o resto é saber o alfabeto de cor" para que as palavras esqueçam o peso da sombra, dancem nas ondas do mar, e se transmutem na luz que morre e renasce como os dias dentro de mim.


Bons Pensamentos
Obrigada a todos pelas visitas que o contador diz ter ultrapassado as cinco mil.
Como diz o anúncio "Há coisas fantásticas não há?"


Fotografia: Ponte D. Luis I (tirada de Vila Nova de Gaia), Fevereiro, 2007.

Quinta-feira, Maio 10, 2007

Agarra-me o coração

Amor_te II



"Meu amor, mata o mundo para que eu sobreviva, morre da vida, e dá-me a mão. A morte, o fim, está lá fora. Fantasmas do mundo que nos morre. Mata ou ressuscita. Guarda-me na mão. Derrama o teu azul no abraço do nosso olhar. Agarra-me o coração com as mãos. Segura-me a alma com a tua. Mata ou ressuscita. Fica."

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Bons Pensamentos.

Terça-feira, Maio 08, 2007

Blogs que fazem pensar


Olha!!! O Lupanar foi nomeado como um blog que faz pensar. Os meus maiores agradecimentos ao Letras Soltas, um dos primeiros blogs que acompanhei de perto. Sempre o arrepio das palavras e a tontura de sentimentos. Um dos blogs que fazem pensar, sem dúvida.

Blogs que me fazem pensar... Ora bem todos os blogs me fazem pensar por diferentes motivos. Ficam alguns como exemplo, porque só posso mesmo escolher cinco.


Brincos de Palavras: uma paragem obrigatória onde a poesia rodopia, gira e avança, como na Pedra Filosofal.

Piano: um blog onde os pensamentos fluem, como as mãos num piano, e se edificam em harmonias únicas.

Instantes de um Louco: os instantes roubados ao tempo. Músicas e palavras que fazem perder o pensamento por instantes e nos fazem voltar em busca de novos instantes.

...magia, palavras e outras coisas... porque há textos mágicos, que sem dúvida fazem pensar, e nos levam por mundos nossos.

Marulhos: as marés dos sentimentos, dos pensamentos, da escrita.


Que vos parece a minha escolha?


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Bons Pensamentos*

Domingo, Abril 29, 2007

Não haverá vida




Não há primavera se não imaginar erva fresca das palavras erva fresca ditas por ti; não haverá verão se não imaginar o sol da palavra sol dita por ti; não haverá outono se não imaginar o fundo do esquecimento da palavra morte dita nos teus lábios.

In MORRESTE-ME José Luís Peixoto


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Fotografia - Amar(no limite irresistível do abismo), Daniel Costa-Lourenço

Não haverá manhãs se uma noite tua não me embalar os sonhos, não haverá dia se não te adivinhar no horizonte do futuro, não haverá céu se os teus olhos se esquecerem para os meus, não haverá caminho se não te sentir presente, não haverá vida se não souber o teu amor a matar a palavra fim, anulando-a num sopro neste mundo que percorres comigo.
Bons Pensamentos*

Segunda-feira, Abril 23, 2007

Até à próxima morte de mim

Sat doloris...

"Conto-me nas sístoles arrítmicas que me definem o pulso, num im_pulso de sangue. 1... 2... 3...
Quantas vezes já bateu o coração? Neste ritmo a_rrítmico, ininterrupto, bate, sem saber que o seu fim último é parar e
requiescat in pace, intoxicado de vida. Como tudo o que espera o seu fim, excepto o que é infinito e não conhece nem limites, nem margens que o definam. E no silêncio da noite, quando o vazio é maior do que eu, canso-me de ouvir estas pancadas surdas, aceleradas por um qualquer medo que o inconsciente ornamentou de trevas, estrangulamento e pesadelo.
Mil mortes de mim não me matam o coração. Como um estranho parto, renasço da noite, do vazio, da escuridão, coberta pelo sangue que me matou; como num parto, sem ter pedido para nascer; e parto novamente para a vida.
Até à próxima morte de mim, num tempo medido nas sístoles e diástoles, e no vermelho quente do sangue que é nosso. Até à próxima morte, que tarda demais nos dias em que é o coração o único com_passo de mim. Conto-me nas sístoles em contagem decrescente. Tarda-me o fim da contagem.
Sat est."

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Quando todos parecem SER antes de mim... Num dia perdido nos dias, num céu que se cansou de sonhar, na paz que se perdeu sem se encontrar, num Moriente Die como já escrevi também...
Bons Pensamentos*

Segunda-feira, Abril 16, 2007

os teus olhos no meu céu




Segredo
Fernando Pinto do Amaral



Esta noite morri muitas vezes, à espera
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas terras do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.


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O amor ofereceu-me o teu nome e luz... A luz que me segreda "agora uma última palavra: o teu nome", o nome que me deste, meu amor. O amor sabe dançar com a minha alma, e tu dizes-me o nome que te leio nos olhos: meu amor.


Bons Pensamentos*


Fotografia: Outubro, 2006, Porto.

Quinta-feira, Abril 12, 2007

"E a luz morreu sem que viesses"

A luz


Morreste na mesma luz
em que chegaste,
e eu fiquei
a olhar a luz,
a tentar agarrar
um qualquer pedaço
de ti
esquecido nos dourados que
aquela luz pintava,
em mim.
Mas era só a luz,
sem ti,
e a tua ausência,
em mim.
E a luz morreu
sem que viesses. E eu parti,
porque já não podia ficar.
Fui a tropeçar no escuro.
À tua procura.

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Uma réstia de luz que se transmutou em palavras ontem, num caderninho que guardo à cabeceira...
Bons Pensamentos*

Sábado, Abril 07, 2007

e um vazio nas mãos





Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser complicadas,
quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.

Nuno Júdice

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Fotografia: Mona Kunh

A tua ausência dói, custa-me não te sentir aqui. E se me perguntares o que tenho, vou-te responder, saudades tuas, saudades de nós. Faltam-me as tuas mãos para completar o fechar das minhas. Fazes-me falta, é por isso "que a tua ausência me dói."

Bons Pensamentos para todos e boa Páscoa*

Domingo, Abril 01, 2007

Também te amo. Muito.

"- Amo-te..."

Também te amo. Muito. Neste amor cru e maior que arranca pedaços de ti, que te faz tremer na vertigem de um rodopio. Também te amo. Desejaria não amar, talvez... talvez. Para não te fazer errar nos recantos de vaga-lume deste meu amor estranho. Este amor que chama o teu nome em voz alta, no meio da noite que me matou mais um bocadinho, silenciado nas lágrimas quentes que me caem pelo rosto. Pelo mesmo rosto que amaste, acarinhaste com os olhos e os dedos breves, e fizeste teu.
Amo-te, é um facto. Neste amor estranho que lamenta que te percas no poço escuro do meu olhar em tons de outono. Preferia dar-te as cores quentes do verão, que ondulam no teu cabelo, mas, é este amor estranho que tenho para te dar, e que aceitaste de alma e braços abertos.
Amo-te. Neste amor tão estranho quanto eu, quanto esta vida estranha que nos entrelaçou os dedos e as almas. Preferia ser diferente e dar-te as asas que o teu amor vê em mim, não sentir o sal das minhas tristezas na tua pele, ser algo que não sou, mas talvez não te amasse tanto.
Amo-te. Neste amor desprovido de convenções, limites e barreiras. No contorno suave e dourado do teu ombro onde descanso o corpo cansado da dor de pensar e de viver quando repouso a cabeça. E descanso. E (re)vivo. E (re)nasço. E sorrio, sempre, alheada da curva alucinada que me levou desta vez aos teus braços. Também te amo. Muito.

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Boa semana para todos...
Bons Pensamentos*

Domingo, Março 25, 2007

Lembro-me sempre de ti




Comovem-me
José Agostinho Baptista


Comovem-me ainda os dias que se levantam
no deserto das nossas vidas.

Dos belos palácios da saudade
não resta a impressão dos dedos nas colunas
fendidas, e nada cresce nos pátios.

Muito além, depois das casas, o último
marinheiro continua sentado.
Os seus cabelos são brancos, pouco a pouco.

Aqui, tudo se resume a algumas tâmaras que
secaram ao sol,
longe do orvalho,
das fontes que pareciam nascer de um olhar
turvo sobre a sede da terra.

Comovem-me ainda as palavras que dizias
aos meus ouvidos aprisionados pela música.
Comovem-me as cadeiras vazias, no pátio.

Lembro-me sempre de ti.


in "Esta voz é quase o vento"

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Um dos meus poetas preferidos para comemorar com uns dias de atraso o dia que celebra a Poesia.
Bons Pensamentos*
(Fotografia (9/03/07), Constância)

Domingo, Março 04, 2007

continuo a acreditar...

Diz-me

"Enrosquei-me um pouco mais no teu peito, quase como uma criança no regaço da mãe, e deixei que os teus braços me apertassem, enquanto me encolhia ainda mais. Na segurança quente do teu abraço atrevi-me a pedir aquilo que precisava ouvir desde aquele anoitecer em insónias que me fez amanhecer em desesperança, e disse baixinho, para a voz não me sair com sabor a lágrimas «Diz-me que vai ficar tudo bem… Por favor.» E tu antes quase de eu acabar de sussurrar, disseste devagarinho numa voz suave: «Vai ficar tudo bem. E eu vou estar sempre aqui.» Não imaginas como eu precisava de ouvir aquelas palavras vindas de ti, embaladas pelo som quente da tua voz. A tua voz doce que me segurou dos vendavais da vida uma vez mais, como tantas vezes antes. Porque continuo a acreditar em ti, meu amor. Continuo a acreditar, cada vez mais. Perdoa a tristeza que povoa o que tenho para te dar, mas é tudo tão grande e eu tão pequenina. Fazes-me maior. Rodopio em nós. Obrigada."

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Bons Pensamentos*

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

Contínua realidade





De cada vez
Gastão Cruz


Contínua realidade que me sorves os dias
como hei-de responder-te se vives incluída
dos meus olhos abertos nas ávidas e frias
pedras incertas vida

prisioneira do espelho que embacias
de cada vez que a turva suicida
torna ao morrer visíveis
as formas com que comes os meus dias


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Bons Pensamentos*
(Fotografia Novembro, 2005, Coliseu do Porto.)

Domingo, Fevereiro 18, 2007

Tão longe, meu amor

Emptiness

Vazio, ausência, falta

It’s a Black Hole
Vácuo, solidão, medo, desespero, escuridão, frio…


I need something/someone to fill up this hole…

Está tão escuro aqui… neste chão de planetas mortos e restos de estrelas e poeira sem peso que flutua em meu redor. Tão escuro que me encolho como uma criança e choro a tentar matar a tortura desse silêncio que canta nadas e fins… Olha tropeço nos restos de um mundo morto...
E quase fora dos limites do horizonte, quando ergo o olhar líquido cansado de lágrimas, vejo um pequeno brilho prateado. Não pode pertencer a este sistema solar onde só se ouve o silêncio da morte e do que não existe, e os ecos do vazio. Não… é noutro local… E distante… Tão longe, meu amor, tão distante… Meu amor… Meu amor… Porque é que está(s) tão longe?